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CALENDÁRIO LITÚRGICO CATÓLICO PARA 2013

Domingo, 07.10.12

Deixo o calendário litúrgico católico para o ano de 2013. Espero em breve deixar o calendário festivo de outras religiões. Deixem as vossas opiniões e sugestões pois serão sempre muito bem-vindas!

Janeiro

1 de Janeiro - Oitava do Natal, solenidade de Maria, Mãe de Deus (Solenidade)

2 de Janeiro - São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno

3 de Janeiro - Santíssimo Nome de Jesus

6 de Janeiro - Epifania

7 de Janeiro - São Raimundo de Penyafort

13 de Janeiro - Santo Hilário de Poitiers

17 de Janeiro - Santo António do Egito

20 de Janeiro - Saint Fabian e São Sebastião

21 de Janeiro - Saint Agnes

22 de Janeiro - São Vicente

24 de Janeiro - São Francisco de Sales

25 de Janeiro - Conversão do Apóstolo São Paulo

26 de Janeiro - São Timóteo e São Tito

27 de Janeiro - Santa Ângela Merici

28 de Janeiro - São Tomás de Aquino

31 de Janeiro - São João Bosco

Fevereiro

2 de Fevereiro - Apresentação do Senhor

3 de Fevereiro - São Brás e São Ansgar

5 de Fevereiro - Santa Ágata

6 de Fevereiro - São Paulo Miki

8 de Fevereiro - São Jerônimo Emiliani ou Santa Josefina Bakhita

10 de Fevereiro - Santa Escolástica

11 de Fevereiro - Nossa Senhora de Lourdes

14 de Fevereiro - São Cirílio e São Metódio

17 de Fevereiro - Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servitas

21 de Fevereiro - São Pedro Damião

22 de Fevereiro - Cátedra de São Pedro

23 de Fevereiro - São Policarpo

 

Março

4 de Março - São Casimiro

7 de Março - Santa Perpétua e Santa Felicidade

8 de Março - São João de Deus

9 de Março - Santa Francisca de Roma

17 de Março - Saint Patrick

18 de Março - São Cirilo de Jerusalém

19 de Março - São José

23 de Março - São Turíbio de Mogrovejo

25 de Março - Anunciação do Senhor

31 de Março - Páscoa

Abril

2 de Abril - São Francisco de Paola

4 de Abril - Santo Isidoro

5 de Abril - São Vicente Ferrer

7 de Abril - São João Baptista de la Salle

11 de Abril - Santo Estanilau

13 de Abril - Saint Martin I

21 de Abril - Santo Anselmo de Cantuária

23 de Abril - São Jorge e Santo Adalberto

24 de Abril - São Fidelis de Sigmaringa

25 de Abril - São Marcos Evangelista

28 de Abril - São Pedro Chanel e Saint Louis Grignon de Montfort

29 de Abril - Santa Catarina de Sena

30 de Abril - São Pio V

Maio

1 de Maio - São José Operário

2 de Maio - Santo Atanásio

3 de Maio - São Filipe e São Tiago

12 de Maio - São Nereu, Santo Aquiles e São Pancrácio

13 de Maio - Nossa Senhora de Fátima

14 de Maio - São Matias

18 de Maio - São João I

20 de Maio - São Bernardino de Siena

21 de Maio - São Cristóvão Magallanes e companheiros mártires

22 de Maio - Santa Rita de Cássia

25 de Maio - São Beda, São Gregório VII e Santa Maria Madalena de Pazzi

26 de Maio - São Filipe Néri

27 de Maio - Santo Agostinho (Austin) de Cantuária

31 de Maio - Festa da visitação da Virgem Maria

Junho

1 de Junho - São Justino Mártir

2 de Junho - mártires São Marcelino e São Pedro

3 de Junho - São Carlos Lwanga e companheiros mártires

5 de junho - São Bonifácio

6 de Junho - São Norberto

9 de Junho - Santo Efrém

11 de Junho - São Barnabé

13 de Junho - Santo António de Pádua

19 de Junho - São Romualdo

21 de Junho - São Luís Gonzaga

22 de Junho - São Paulino de Nola, São João Santos Fisher mártir Thomas More

24 de Junho - Nascimento de São João Baptista

27 de Junho - São Cirilo de Alexandria

28 de Junho - Santo Irineu

29 de Junho - São Pedro e São Paulo

30 de junho - Primeiros mártires da Igreja de Roma

Julho

3 de Julho - São Tomé Apóstolo

4 de Julho - Santa Isabel de Portugal

5 de Julho - Santo António Zacarias

6 de Julho - Santa Maria Goretti

9 de Julho - Santo Agostinho Zhao Rong e companheiros mártires

11 de Julho - São Bento

13 de Julho - Saint Henry

14 de Julho - São Camilo de Lellis

15 de Julho - São Boaventura

16 de Julho - Nossa Senhora do Monte Carmelo

20 de Julho - Santo Apolinário

21 de Julho - São Lourenço de Brindisi

22 de Julho - Santa Maria Madalena

23 de Julho - Santa Brígida

24 de Julho - São Sharbel Makhluf

25 de Julho - Saint James

26 de Julho - São Joaquim e Santa Ana

29 de Julho - Santa Marta

30 de Julho - São Pedro Crisólogo

31 de Julho - Santo Inácio de Loyola

 

Agosto

1 de Agosto - Santo Afonso Maria de Ligório

2 de Agosto - São Eusébio de Vercelli e São Pedro Julião Eymard

4 de Agosto - Saint Jean Vianney (o Cura d'Ars)

5 de Agosto - Dedicação da Basílica di Santa Maria Maggiore

6 de Agosto - Transfiguração do Senhor

7 de Agosto - São Sisto II e São Caetano

8 de Agosto - São Domingos

9 de Agosto - Santa Teresa benedita

10 de Agosto - São Lourenço

11 de Agosto - Santa Clara

12 de Agosto - Santa Joana Francisca de Chantal

13 de Agosto - São Ponciano e São Hipólito

14 de Agosto - São Maximiliano Maria Kolbe

15 de Agosto - Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria

16 de Agosto - Saint Stephen da Hungria

19 de Agosto - São João Eudes

20 de Agosto - São Bernardo de Claraval

21 de Agosto - São Pio X

22 de Agosto - Realeza da Bem-Aventurada Virgem Maria

23 de Agosto - Santa Rosa de Lima

24 de Agosto - São Bartolomeu Apóstolo

25 de Agosto - Saint Louis e São José de Calasanz

27 de Agosto - Santa Mónica

28 de Agosto - Santo Agostinho de Hipona

29 de Agosto - Decapitação de São João Baptista

 

Setembro

3 de Setembro - São Gregório Magno

8 de Setembro - Nascimento da Virgem Maria

9 de Setembro - São Pedro Claver

12 de Setembro - Santo Nome de Maria Santíssima

13 de Setembro - São João Crisóstomo

14 de Setembro - Triunfo da Santa Cruz

15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores

16 de Setembro - São Cornélio e São Cipriano

17 de Setembro - São Roberto Belarmino

19 de Setembro - São Januário

20 de Setembro - Saint Andrew Kim Taegon e Paul Chong Hasang

21 de Setembro - São Mateus Evangelista

23 de Setembro - São Pio de Pietrelcina

26 de Setembro - São Cosme e São Damião

27 de Setembro - São Vicente de Paulo

28 de Setembro - São Venceslau e São Lourenço Ruiz

29 de Setembro - Arcanjo São Miguel, Arcanjo São Gabriel e Arcanjo São Rafael

30 de Setembro - São Jerónimo

 

Outubro

1 de Outubro - Santa Teresa do Menino Jesus

2 de Outubro - Anjos da Guarda

4 de Outubro - São Francisco de Assis

6 de Outubro - São Bruno

7 de Outubro - Nossa Senhora do Rosário

9 de Outubro - Saint Denis e São João Leonardi

14 de Outubro - São Calisto

15 de Outubro - Santa Teresa de Ávila

16 de Outubro - Santa Edwiges e Santa Margarida Maria Alacoque

17 de Outubro - Santo Inácio de Antioquia

18 de Outubro - São Lucas Evangelista

19 de Outubro - Saint Jean de Brébeuf, Saint Isaac Jogues e São Paulo da Cruz

23 de Outubro - São João de Capistrano

24 de Outubro - Santo António Maria Claret

28 de Outubro - São Simão e São Judas

 

Novembro

1 de Novembro - Dia de todos os Santos

2 de Novembro - Dia de todas as Almas

3 de Novembro - Saint Martin de Porres

4 de Novembro - São Carlos Borromeu

9 de Novembro - Dedicação da Basílica de Latrão

10 de Novembro - São Leão Magno

11 de Novembro - São Martinho de Tours

12 de Novembro - São Josafat

15 de Novembro - Santo Alberto Magno

16 de Novembro - Santa Margarida da Escócia e Santa Gertrudes

17 de Novembro - Santa Isabel da Hungria

18 de novembro - Dedicação das Basílicas dos Santos Pedro e Paulo

21 de Novembro - Apresentação da Santíssima Virgem Maria

22 de Novembro - Santa Cecilia

23 de Novembro - São Clemente e São Columbano

24 de Novembro - Santo André Dung Lac e Cristo Rei

25 de Novembro - Santa Catarina de Alexandria

30 de Novembro - Santo André Apóstolo

 

Dezembro

3 de Dezembro - São Francisco Xavier

4 de Dezembro - São João Damasceno

6 de Dezembro - São Nicolau

7 de Dezembro - Santo Ambrósio

8 de Dezembro - Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

9 de Dezembro - São Juan Diego

11 de Dezembro - São Dâmaso I

12 de Dezembro - Nossa Senhora de Guadalupe

13 de Dezembro - Santa Luzia de Siracusa

14 de Dezembro - São João da Cruz

21 de Dezembro - São Pedro Canísio

23 de Dezembro - São João de Kanty

25 de Dezembro - Natal do Senhor

26 de Dezembro - Santo Estevão, primeiro mártir

27 de Dezembro - São João Apóstolo e Evangelista

28 de Dezembro - Santos Inocentes, mártires

29 de Dezembro - Saint Thomas Becket e Sagrada Família

31 de Dezembro - São Silvestre

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publicado por Esotherismo às 23:36

ÀBÍKÚ - QUEM SÃO?

Domingo, 07.10.12

O tema de hoje tem a ver com a tradição Yoruba que acrdita que existem crianças que apenas vêm ao mundo terreno por breves momentos para rapidamente regressarem ao reino dos mortos. Eles são os Àbíkú (Nós nascemos para morrer).

Quando uma mulher, num país yoruba dá à luz uma série de crianças mortas ou as mesmas partem deste mundo em tenra idade, acredita-se que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes mas sim de várias aparições do mesmo ser (para eles maléfico) chamado àbíkú (nascer-morrer) que quer regressar ao Orun.

O Orun é o mundo paralelo que nos rodeia, a residência de deuses e antepassados, palavra facilmente traduzível por Céu. Aí mora um grupo de crianças denominadas Egbe Orun Abiku: as crianças que nascem para morrer num curto espaço de tempo e que provocam grande sofrimento nas suas famílias. As meninas são chefiadas por Oloiko (chefe de grupo) e os meninos por Ìyájanjasa (a mãe que bate e corre). A permanência dos Abiku (ou Emere) é condicionada a um pacto que fazem na passagem do Orun para o Aiye (a Terra) com Onibode Orun, o porteiro do Céu. Este pacto é cumprido rigorosamente pelos Abiku: uma criança cujo acordo for não nascer, realmente não nascerá; outra que combine voltar quando romper seu primeiro dente, terá morte súbita, por acidente ou por doença, horas ou dias após o aparecimento deste dente. Quando uma criança Abiku nasce, seu par, aquele seu companheiro mais chegado no Orun, começará a interferir em sua vida, atormentando-a, aparecendo-lhe em sonhos, a fim de que não se esqueça de seus amigos do Orun e rapidamente volte para eles, assim que houver cumprido o seu pacto.

Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais, desejosos de ter os filhos vivos. Essa crença é comum entre os Akan, onde a mãe é chamada Awomawu (ela dá à luz os filhos no mundo para a morte). Os Ibo chamam os Abikú de Ogbanje, os Hauças de Danwabi e os Fanti, de Kossamah. Encontramos informações a respeito dos Abikú em oito itans (histórias) de Ifá, sistema de adivinhação dos yorubá, classificados nos 256 Odu (sinais de ifá).

Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) terá sido quem trouxe ao mundo pela primeira vez estas crianças na sua cidade de Awayié. É onde se encontra a floresta sagrada dos abikú, onde os pais de abikú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo. Quando eles vêm do céu para a terra, os abikú passam os limites do céu diante do guardião da porta, Oníbodé Órun, seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo. Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Se prometerem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas, crianças apesar de todo os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu. Os abikú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos.

Um Abikú menina chamada "A-morte-os-puniu" declara diante de Oníbodé Órun que nada do que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem todas as coisas que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam.

Um Abikú menino, chamado Ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu.

Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta Abikú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles prpôs-se a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; um outro, iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; um outro que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar. Outros prometem à Iyàjanjasà, que chefia a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar no mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar, ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé. 

As histórias de Ifá dizem que as oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses Abíkú e de os fazer esquecer as suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcado para a volta pode já ter passado, os seus companheiros arriscam-se a perder o poder sobre eles.

Existem várias histórias.

Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos Abíkú, ouviu quais eram as promessas feitas por três Abíkú quanto à época do seu retorno ao céu. Um deles prometeu que deixaria o mundo assim que o fogo utilizado por sua mãe para preparar a sua papa de legumes se apagasse por falta de combustível. O segundo esperaria que o pano que a sua mãe usasse para carregá-lo nas costas se rasgasse. A terceira esperaria para morrer pelo dia em que os seus pais lhe dissessem que era tempo de ela se casar e ir morar com seu esposo. O caçador foi visitar as três mães no momento em que elas estavam a dar à luz os seus filhos Abíkú. Aconselhou a primeira a não deixar queimar a lenha completamente sob o pote que cozinhasse os legumes que ela prepararia para seu filho; a segunda que não deixasse rasgar o pano que ela usaria para carregar o seu filho nas costas usando um pano de qualidade diferente; e recomendou, por fim, à terceira, para não dizer o momento em que a sua filha deveria ir para a casa do seu marido.

As três mães foram então consultar a sorte, Ifá, que lhes recomendou que fizessem as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo assim que os três Abíkú pudessem manter o seu compromisso. Se a primeira instalasse um tronco de bananeira no fogo destinado a cozinhar a papa do seu filho, como é cheio de seiva e esponjoso, não se queimaria e o abikú, ao ver uma acha de lenha não consumida pelo fogo, concluiria que o momento da sua partida ainda não é chegado.

A pele de cabra oferecida pela segunda mãe serviria para reforçar o pano que ela iria usar para levar o seu filho às costas e como o pano não se rasgaria o abiku manteria a sua promessa.

A história da oferta de um galo nunca se entendeu bem, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e enviaram-na repentinamente para casa dele. Assim, estes três abikú não iriam morrer da forma predestinada. Eles seguiram um outro caminho.

Num país Yorubá a sorte (destino) pode ser modificada, até certo ponto, quando certos segredos são conhecidos. As plantas mais usadas nas oferendas são: Abíríkolo (crotalaria lachnophera, papilolionacaae), Agídímagbayin (não identificada), Ídí (terminalia ivorensis combretacae), Ijá àgborin (não identificada), Lara pupa (ricinus communis), Olobutoje (jatropha curcas euphorbiaceae) e Òpá eméré (waltheria americana, sterculiaceae).

A oferta destas plantas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por Ofó (encantamentos). Num país yorubá, os pais para proteger seus filhos abikú e tentar retê-los no mundo, podem se dedicar a certas práticas tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança para esfregar atin (um pó preto feito com osso, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um ondè (talismã feito do mesmo pó negro dentro de um saquinho de couro). A acção protetora procurada nas folhas é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, dentro do saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, ou seja, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos inimigos.

Noutra história, são feitas alusões aos Xaorôs (anéis providos de guizos) usados nos tornozelos pelas crianças Abikú para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los a este mundo e lembrar-lhes suas promessas. Esses seus companheiros não aceitam facilmente a falta de palavra dos Abikú retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais. Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças Abikú na terra. Iyàjanjasà é muitas vezes mais forte.

Contra os Abikú não há remédios. Yiájanjàsá atrai-os à força para o céu. Os corpos dos Abikú que morrem assim são frequentemente mutilados para que eles percam os seus atractivos e os seus companheiros no céu não queiram brincar com eles. Mas sobretudo para que o espírito do Abikú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo. Essas crianças Abikú recebem no seu nascimento nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais. Eles podem ser classificados com nomes que estabeleçam a sua condição de Abikú, com nomes que lhes aconselhem ou lhe supliquem que permaneçam no mundo, ou com indicações de que as condições para que o Abikú volte não são favoráveis.

A freqüência com que se encontram, num país Yorubá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos Abikú ficam no mundo graças a todas essas precauções, à acção de Òrúnmìlà e à intervenção dos Babalowos.

ALGUNS NOMES DADOS AOS ABIKÚ:

Aiyédùn - a vida é doce

Aiyélagbe - nós ficamos no mundo

Akúji - o que está morto, desperta

Bánjókó - senta-se comigo

Dúrójaiyé - fica para gozar a vida

Dúróoríìke - fica tu serás mimada

Èbèlokú - suplica para que fique.

Ilètán - a terra acabou (não há mais terra para enterra-lo)

Kòjékú - não consinta em morrer

Kòkúmó - não morra mais

Kúmápáyìí - a morte não leva este daqui

Omotúndé - a criança voltou

Tìjúikú - envergonhado da morte (não deixa a morte te matar).

 

As cerimónias para os Abikú parecem ser pouco frequentes entre os Yorubás. Nos dias de hoje, quando morre uma criança ainda nova, há muita possibilidade de ser um Abikú que está a regressar ao "Céu" mantendo-se a probabilidade de voltar num próximo filho, ainda na mesma geração ou na próxima. Quando uma criança fica muito doente e corre risco de vida, deve-se averiguar na família se já existiram casos de aborto ou de morte prematura pois é uma forte possibilidade. As reacções, mais da mãe que do pai, em caso de aborto no seu dia-a-dia são sintomáticas: desequilíbrio generalizado,na vida pessoal, no trabalho, em casa e nos estudos. Parece que nada dá certo prevalecendo a angústia, a depressão, o pessimismo e o desânimo. Aparentemente tudo deveria estar bem. É a influência daquele "ser", que contrariando as leis da natureza foi "fisicamente" eliminado, ficando a gravitar num plano próximo dos pais e a afectar as suas vidas. Por uma questão de justiça, um Abikú que foi "gerado" por uma família não pode aparecer noutra.

Os antigos deixaram instrumentos dentro da religião Yorubá para"enganar" os Abikús. A mãe que poderia vir a ter um filho Abikú pode evitar a vinda de um ser deformado ou com problemas sérios através dos ebós e oferendas que, na realidade, não são mais do que um "retorno sob forma de castigo" dos nossos actos ou de gerações passadas. Além de amuletos e magias feito nos Abikús, que vão desde símbolos e patuás postos nas suas pernas, braços e pulsos, são feitas pinturas destoantes nos seus corpos para repelirem os seus "antigos companheiros" do outro lado e os obrigarem a ficar na vida.

 

Existem mais nomes que se dão aos Abíkús:

Malómo - não vai embora novamente

Kosokó - não existe mais pá (para cavar a sepultura)

Banjokô - senta-te ou fica comigo

Durosimi - espera para me enterrares (enquanto eu viver)

Jekiniyin - permite que eu tenha um pouco de respeito

Akisatan - não há mais mortalhas para sepultar

Apará - aquele que vai e vem

Okú - o morto

Igbekoyi - nem a floresta te quer 

Enú-Kún-Onipê - o consolador está desgastado

Akuji - morto e acordado

Tijú-Ikú - Envergonha-te de morrer

Duró-Orí-Iké - Espera e vê como vais ser mimado

 

São feitas festas especiais para esse tipo de crianças, onde o feijão frade e o azeite de dendê são distribuídos a todos como prato principal. Os Abikús e outras crianças são convidadas, assim como os "demónios" que as acompanham. Supostamente, a festa agradará aos "amiguinhos do outro lado", convencendo-os a deixarem os Abikús terem uma vida normal.

 

ABIKÚS E ABIAXÉS

Os Abikús têm sido confundidos no Brasil com Abiaxé, as quais são as crianças nascidas "feitas de berço" e com uma missão espiritual. Os Abiaxés podem ou não recusar a missão espiritual na terra e regressar ao convívio de Olorún, dependendo unicamente do teor de compreensão que obtiverem do seus pais, mestres, tutores, cônjuges, etc. Existem dois tipos de Abiaxés. O primeiro é oriundo de uma transmigração espiritual e nasce na mesma hora ou horas depois num outro e outro corpo. Precisa apenas de um ritual de confirmação ou coroação do Ibá Orí conforme o cargo espiritual designado por Ifá. É oferecido a Olodumaré e Olorúm pelos seus pais ou tutores e nunca conseguirá fugir de seu Odú (predestinação). 

O segundo é "feito" (raspado) na barriga da mãe quando esta é recolhida para a "feitura" e está grávida. Aí a criança recebe todos os fundamentos que a mãe receber, independentemente da qualidade de Orixá, nascendo "feita" deste mesmo Orixá e precisando apenas da confirmação ou coroação, as quais seguem as mesmas ritualísticas do primeiro caso de Abiaxé.  

 

 

OS QUATRO TIPOS DE ÀBÍKÚ

Abikú Inã ou Izô - do fogo: este Abikú é o que mata a mãe com o seu nascimento ou o pai, por acidente, posteriormente. É um Abikú de difícil trato, trazendo consigo a má sorte para quem com ele mantiver relacionamento permanente. O Abikú de fogo geralmente aliena o segmento social no qual estiver envolvido e desenvolve uma psicopatia irreversível após os 21 anos.

 

Abikú Omí ou Azín - da água: é o tipo de Abikú que nasce de 6, 7 ou 8 meses,indo para a incubadora. Morre precocemente ou cresce e sai desse período critico. Se seus avós forem vivos, liga-se mais a eles do que aos pais. o seu principio de Abi (vida) dá-se entre um anos ou três anos e meio de idade e o seu processo de Ikú (morte) inicia-se entre os três e os cinco. Morre quase sempre por afogamento, tuberculose, desidratação ou cólera. A forma de evitar esse retorno é usar um nome contrário ao nome que trouxe do útero e fazer trabalhos espirituais fazendo ofertas aos Odús (presságios).

 

Abikú Alé - da terra: estes Abikús segundo a ancestral cultura Yorubana, são os mais trabalhosos para os sacerdotes e parentes, pois estão intimamente ligados aos "amiguinhos das florestas" que os chamam frequentemente. Muitas vezes nasce por cesariana ou de parto normal muito difícil. É uma criança agitada com tendências a neuroses familiares.A forma de retorno também é por acidente em quedas de alturas ou por doenças de pele e órgão digestivo. O tempo de vida (se não for tratado) oscila entre os 4 e os 8 anos.

 

Abikú Fefé - do vento: estes Abikús diferem um pouco dos outros, por ser de especial origem no meio do convívio das pessoas. Ele destaca-se em todo o ambiente desde o seu nascimento que, geralmente, foi inspirado ou não planeado. Tem características próprias e pode ser facilmente induzido a manter-se na vida dada a sua instabilidade emocional inicial. Por ter mais do que "amiguinhos" do outro lado, poderá ser salvo por Exú e Oyá na hora H.

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publicado por Esotherismo às 21:32





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